segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Declaração de desinspiração

Só para que fiquem a saber estou numa fase de desinspiração e pouca atenção ao mundo que me rodeia. Não há nada que ocupe o meu pensamento durante horas, a não ser o meu trabalho e as actividades em que estou envolvido. E como não encontro fórmula de me expressar sobre esses temas para que todos me entendam, prefiro simplesmente não o fazer.

A propósito, partilhar o que alguém falou no outro dia. Há dois tipos de pessoas hoje em dia: as que se envolvem em tudo e as que não se envolvem em nada. As que se envolvem estão em vários projectos ao mesmo tempo e às vezes não têm tempo nem para respirar. As que não se envolvem deixam-se andar à espera que apareça sempre alguém que se envolva.
Isto vem colidir um pouco com aquele pensamento de que se andarmos envolvidos em muita coisa dificilmente conseguimos aprofundar alguma delas. Apesar de tudo parece-me melhor estar envolvido do que não me deixar sequer envolver.

Jack Peñate já está aqui há espera à um tempão para que eu o deixe soltar este Pull My Heart Away. Jack não te chateies, é só falta de inspiração minha.




Fim de Crónica

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Teoria do tamanho das cidades

Será hoje?
Parece-me que sim. Passada a campanha legislativa, e enquanto lá fora ainda se faz campanha desta vez para as autarquias, eis que numa manhã levanto-me e decido que vou escrever sobre aquilo que há muito prometi. A teorização da forma de adaptação às cidades.

Está quase a fazer um ano que deixei uma cidade de 100.000 habitantes para viver numa cidade, que segundo a wikipédia tem pouco mais de 500.000 habitantes. E para além destes, há um imenso mar de gente que vive à volta desta cidade, e que por ela passa quase todos os dias. 
É portanto muita gente. 
Para quem vem do meio pequeno, é demasiada gente. Mas por estranho que pareça, quanto maior é a cidade, maior a tendência para a solidão. É porquê? Porque não há tempo. O tempo que é gasto em deslocações é tendencialmente longo e solitário. O iPod é um companheiro inseparável de quem vive numa metrópole. Conversar com desconhecidos é um risco que não se deve correr. E será que o desconhecido está interessado? Estarei a fazer figura de parvo? Não, eu não ando à procura de amigos nos transportes públicos. Mas face à escassez de tempo, até que nem parece ser uma má ideia. Cada pessoa neste imenso maranhal tem o seu espaço. Espaço que dificilmente é invadido por um desconhecido. Existem sítios onde podemos fazer-nos amigos e outros que não. A mesma pessoa numa situação pode ser extremamente receptiva, e noutra querer preservar-se. Estranho não é? Sim, é estranho, mas eu concordo. Há sítios para tu. Os nossos estados de espírito são como t-shirts diferentes que tiramos de gavetas. Uma para cada ocasião.

Quanto maior a cidade, mais tempo se gasta em deslocações, menos tempo se tem para outros, maior o tempo de solidão e muito provavelmente, os rostos são mais fechados. Não quero especular, mas parece-me que quanto menos tempo as pessoas têm para se relacionar, menos felizes são. No fundo não é novidade nenhuma, é só uma coisa que eu ando a pensar. 
Como ser feliz numa cidade muito grande? Aos poucos. É preciso sentir que a cidade também é minha. É preciso aceitar que para ter um cem número de facilidades na palma da mão, tenho de abdicar de outras, incluindo esse imensurável valor que é o tempo. É preciso também dar tempo para que isso aconteça.

Coelho de coração na púcara é bem bom. Florence and the Machine vêm provar que em música também é muito bom. Lungs o álbum de estreia destes britânicos, encabeçados por Florence traz este Rabbit Heart. Estão em alta por terras de sua majestade.


Fim de Crónica

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Estilhaços eleitorais

Já lá vão uns dias desde que fomos a votos. Eu gosto de votar. Sinto-me importante quando voto, sinto que estou a expressar a minha vontade para o futuro de Portugal. É uma sensação boa. Infelizmente e como vem sendo hábito em muito actos eleitorais a abstenção foi grande.

O resultado é sobejamente conhecido, não o vou esmiuçar mais. Quero falar das possíveis causas que levaram a um resultado tão decepcionante do MEP.
Foi uma tremenda desilusão. Quando apareceram os primeiros resultados ainda havia alguma esperança de que o voto urbano se viesse a reflectir, fazendo subir o resultado do MEP. À medida que a noite eleitoral ia avançando, essa esperança foi-se paulatinamente diluindo. Como foi possível em poucos meses perder 30000 votos?
Foi deste ponto que comecei. Em primeiro lugar foi um erro querer transpor resultados das eleições europeias para as legislativas. São coisas diferentes, com métodos diferentes de atribuição de mandatos, e com um sentido diferente de proximidade para os portugueses que vivem em Portugal. Pela distância, dá a sensação que o parlamento europeu tem pouca influência na vida do dia-a-dia. Talvez por isso, o apelo ao voto útil passa despercebido. Mais mandato ou menos mandato, os grandes partidos não se importam muito com os resultados.
Mas o resultado das europeias era a única referência que tínhamos, e por isso foi legítimo que nos baseássemos nele. Por isso, a fasquia colocada era alta. Também por isso a desilusão foi ainda maior. O certo é que foi essa fasquia que foi alimentando a campanha, e que mobilizou muita gente para o MEP e para a campanha extraordinária que fizemos.
Faltou-nos no entanto fazer entender que o voto MEP seria um voto útil. Houve muito esforço neste sentido, mas claramente os eleitores não pensaram assim. Assumindo um posicionamento no espectro político ao centro, corremos este risco. Muitos dos que confiaram no MEP nas europeias decidiram votar nos partidos que poderiam vencer as eleições.
Houve também uma forte mobilização para que Sócrates saísse do governo. Era um contra todos os outros, e isso fez que o principal objectivo destas eleições fosse derrubar Sócrates e não eleger os nossos representantes na Assembleia da República. Parece-me Sócrates acabou por beneficiar desta luta. O MEP saiu bastante prejudicado. Não atingiu nenhum dos objectivos que se propôs, eleger deputados e atingir os 50000 votos para receber a subvenção dos estado (já li que o MRPP, apesar de os ter atingido pode não vir a receber a dita subvenção).

O tempo agora é de análise e reflexão sobre estes resultados. Posso dizer que neste momento há mais pessoas a conhecer o MEP. Mas mesmo assim, nos útlimos minutos de campanha havia gente que ainda não tinha ouvido falar de nós. O esforço foi grande, mas não o suficiente. A falta de exposição mediática é um problema para que um pequeno partido ultrapasse essa barreira que é chegar ao parlamento. Continuo a pensar que há muita gente que se identifica e vê sentido na propostas de MEP e que nestas eleições votou noutro partido. Por isso, ao contrário de outros projectos de natureza política em que estive envolvido, não estou com vontade de baixar os braços. Acho que o MEP deve sobreviver a este forte abanão, crescer com ele e com humildade trabalhar para que se possa apresentar de novo a eleições daqui a 4 anos. Existe muito caminho a percorrer neste tempo. Acho que esta decepção pode ser aproveitada para nos tornar mais fortes.

Espero sinceramente que a legislatura possa durar 4 anos. Espero que o governo tenha a humildade de conseguir dialogar com a oposição e que os partidos da oposição tenham um sentido de estado, para que o fim da crise e a prosperidade regressem rapidamente a Portugal. Se assim for, o resultado das eleições foi positivo para o país.

Na 2ª feira após o resultado eleitoral, já circulava no Facebook um quiz que indicava o local para onde deveríamos emigrar agora que teremos mais alguns anos de governo Sócrates. O meu resultado foi Noruega. Os Wombats dizem que vão-se mudar para Nova Iorque. Não me parece má ideia. Embora fosse uma solução temporária. As grandes cidades são assim.




Fim de Crónica

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Era uma vez um partido

Comecemos então esta pequena história.

A minha história de vida fala-me de um tipo que sempre se interessou pela política, pelos problemas do país, por pensar como os meus problemas do dia a dia podem ser resolvidos. Não gosto nada de estar longe da actualidade. Tive algumas breves incursões pela política das associações de estudantes sempre com pouco sucesso. Nunca me identifiquei com a forma como se fazia política em Portugal, a tentar aproveitar a mínima falha dos adversários políticos para destruir. Acho que a construção de um país melhor deve ser feita de consensos alargados e de propostas vindas dos vários quadrantes políticos. Nunca me identifiquei com a ideologia de esquerda ou de direita. Acho que são espartilhos políticos que algumas vezes reduzem a margem de manobra dos políticos. A política para mim é um serviço à comunidade, um sacrifício em prol dos outros, e não um espaço de aproveitamento pessoal. Até há cerca de um ano não encontrava nenhum partido político que pensasse da mesma forma que eu.

Há cerca de ano e meio tive a oportunidade de conhecer o Rui Marques, presidente do MEP, num registo informal. Ele falou dos projecto de um partido que na altura estava a pensar formar. A maneira como ele foi descrevendo o partido foi muito clara, e achei que finalmente ia haver alguém na política portuguesa que tinha uma forma de pensar com a qual me identifico.
Longe de mim pensar que seria candidato, mas de facto fui convidado pela direcção do MEP para participar neste projecto e estou em 8º lugar na lista de Coimbra.
À medida que vou conhecendo os outros candidatos sinto que também eles estão na política para servir. Podiam estar no sofá a assistir a estas eleições, podiam continuar o trabalho fantástico que muitos deles desenvolveram em ONG e IPSS, mas decidiram que estava na altura de fazer política de maneira diferente em Portugal.

O programa do MEP está disponível na página. A grande maioria de nós não tem tempo nem paciência para ler os programas políticos de todos os partidos candidatos, e por isso muitas vezes achamos que a nossa decisão nunca será bem fundamentada.
Se a indecisão ainda paira no ar, talvez não seja uma má ideia ir perguntar à Bússola Eleitoral onde me posiciono.

O programa do MEP tem 160 propostas concretas. É um programa incompleto, como creio que serão todos. Mas o MEP não quer ser proprietário das ideias que estão no programa. O interesse do MEP é que elas sejam postas em prática seja por quem for.

Como o tempo é curto nos dias de hoje, deixo também uma entrevista de Rui Marques à Antena 1 que considero bastante esclarecedora. Admiro a clareza e objectividade dele. O seu passado fala por si: o Lusitânia expresso, a CAIS, o Fórum Estudante e mais recentemente no Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas. Em todos estes projectos deixou marca. Espero que no domingo chegue ao parlamento.


O que venho pedir é que se o projecto vos diz alguma coisa não deixem de votar no domingo. O voto útil é aquele que corresponde às nossas convicções, não deve ser um voto de protesto. O MEP tem boas hipóteses de eleger um deputado por Lisboa (quem sabe se não haverá bónus), mas o voto é importante a nível nacional. Convém lembrar que para que a mensagem da política da esperança chegue mais longe o partido precisa de garantir o correspondente financiamento do estado, que só está garantido se o total nacional de votos for superior a 50000. Daí por diante o partido recebe uma quantia por cada voto. Estejam onde estiverem o voto convicto no MEP é um voto útil e creio que não desiludirá quem depositar a sua confiança em nós.

Sensatez é o que se pede aos eleitores e aos políticos que a partir de domingo assumirem responsabilidades na construção de um Portugal melhor. Sensatez é também o nome da música que vos deixo do Real Combo Lisbonense.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Mais adiamentos

Isto está complicado de tempo. Entre trabalho, mudanças, viagens e campanha a tão aguardada teoria está sem tempo para sair. Mesmo assim continuo a ouvir música e bastante. Por isso não quero deixar de contribuir para aumentar o grau de satisfação dos meus leitores. De facto é engraçado recorrer à imaginação cinéfila para imaginar alguém que está a ler o blogue, clica no vídeo para ouvir a música, de repente coloca as colunas no máximo, salta da cadeira em frente ao computador e começa a dançar abanando a cabeça freneticamente.

Fica aqui um pedaço daquele que é até agora um dos grandes discos do ano. La Roux um duo britânico que este ano editou o seu álbum de estreia com o mesmo nome. Fica aqui o terceiro single I'm Not Your Toy, uma das mais cativantes deste mesmo álbum. Apesar dos sintetizadores parecerem bastante ridículos, a música é de fácil adaptação ao ouvido.


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Pedimos desculpa pelo incómodo

Ando a desenvolver uma teoria sobre as cidades, o seu tamanho e a maneira como as pessoas vivem com as mudanças de cidade. A teoria está bem consistente, mas ainda necessita de amadurecer. A vontade de escrever não é grande.

Para não ficardes sem música aqui fica uma música de anúncio de cerveja que eu aprecio. Ambas.
Air Traffic directamente de Bournmouth com No More Running Away.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Conserva-te

Em vésperas de camapnha eleitoral, a palavra conservador tem vido inúmeras vezes à mesa de café. Nem sempre tomada como um elogio. Quase nunca mesmo. Parece que um conservador está atrasado e não vive no seu tempo. Bem sei que tem tudo a ver com o significado com que se interioriza a palavra. Muito embora fique sentido quando me chamam conservador, acho que a palavra e maneira como é utilizada pode não ser assim tão pejorativa.
O meu pensamento dos últimos dias vai no sentido de que se acho que faz sentido que as coisas estejam assim, para quê mudar? Eu não mudo a minha rotina só para que seja diferente, mudo se acho que preciso de mudar. Há uma série de valores que defendo, e que podem ser tomados como conservadores. E isso é mau? Não me parece. 
Não consigo resolver este imbróglio. Vou tentar mais uma vez: não me parece que conservador seja sinónimo de antiquado e o contrário de progressista. 
Isto para dizer que estou um bocado farto que se use conservador apenas no sentido pejorativo.

A música de hoje dá ares de consevadora. Conservadora não, mas sim num estilo mais acústico/clássico. Regina Spektor possui uma das vozes mais fascinantes da música actual. Lançou um novo registo há poucos meses no qual se pode ouvir este Eet.


Fim de Crónica

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Crónica de Twitter

A música do dia de hoje foi esta:



Não porque eu esteja a chorar pelo amor, mas porque foi um dia que mesmo em tons de cinzento conseguiu ter a alegria que a música transmite. E lá vim eu a cantarolar isto a caminho de casa.

Fim de Crónica

domingo, 16 de agosto de 2009

Teorias da noite

Meus amigos,

Já é bastante tarde, mas chegado de uma noite onde vagueei por bares e onde desenvolvi uma teoria pouco inovadora sobre a noite, sinto-me obrigado a vir aqui partilhá-la. Agora sim, porque dúvido que me lembre dela com o pormenor que me lembro agora, noutra altura. Prefiro correr o risco de ter um texto mau, mas fresco.

Então vamos lá.
Independentemente do sítio onde vou, dificilmente esse local me pode condicionar no meu indíce de divertimento. Há sítios que gosto mais que outros. Mas dificilmente um ambiente pode mudar o meu estado de espírito. Há duas coisas que determinam o tal indíce de divertimento: com quem vou e como vou.  É determinante o grau de empatia com as pessoas com que se vai por aí (isto parece uma frase que podia figurar numa página da Maria). Mais do que tudo o resto, o que fica das noites é a experiência, e se não for partilhada com alguém com que haja empatia, a experiência pode não ser brutal. O outro factor é menos controlável. O "mood" como os ingleses dizem. Se não estou para aí virado dificilmente pode ser o noite divertida. 
Então o que achas? Não há nada de novo!? Como não? Bem, és capaz de ter razão...

Não. O parágrafo anterior serviu apenas como introdução a este que agora escrevo. É um mito que as pessoas acham divertido sair à noite. Basta olhar para cara de muitas delas. Estão de trombas. Talvez porque falta a tal empatia com os companheiros. Talvez porque não estejam no "mood". Mas o certo é que existe muita gente na noite a olhar para o infinito, à procura de algo que não sabe bem o quê. Pode até estar com alguém conhecido, mas se não existe empatia, a tendência é para colocar as trombas e olhar em redor.
A música também não ajuda. Invariavelmente a música de batidas repetitivas não entusiasma por si. Não proporciona ritmos dançáveis, não dá para cantar, serve apenas para ocupar espaço, alimentando assim a solidão colectiva dos que ainda se encontram de trombas. E por isso digo, há por aí muita gente triste na noite. Atenção para eles também. 

Inovador?

Para musiquinha, os Grizzly Bear trazem "Two Weeks". Um belo tema de fim de tarde, e que tem uma bonita remistura de Fred Falke que não tenho aqui à mão para vossas excelências. Fiquem para já com o original.


Fim de Crónica

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Campo de férias

Desde há uns anos que queria animar um campo de férias. Este ano tive finalmente a oportunidade de o fazer. É gratificante, exigente, extenuante, libertador. É espaço de realização pessoal e de viver para os outros, os animados. Por animar para quem animei, por não conhecer à partida o que ia animar o campo podia ser uma caixa de surpresas. Não sei se devo contar muito mais. A poeira ainda não assentou, as memórias ainda pairam no ar, pode-se dizer que ainda não saí do campo.
O que lá se passou pode ser visto aqui e está aqui para ser partilhado com o mundo.

Ouvi este "Imagine" cantado desta vez por Jack Johnson e gostei. Acho que se adequa a esta ambiência destes dias.



Fim de Crónica