sexta-feira, 13 de junho de 2008

Regreso à base

Chegar a casa depois de uma noite de desafios a ouvir Beirut é das melhores coisas do mundo. Foi isto que me pareceu, ainda há pouco. À medida que as iluminações ficam para trás, a música traz-me a sensação que o dia correu bem. 

Para o carro. Rita Redshoes parece querer cantar. Faço-lhe a vontade. Com o veículo parado em frente do portão da garagem vou adormecendo ao som da música. Desligo o rádio. Decido rever um filme que vivi, vejo que cismei, que andei para frente, que recuei, que tive coragem. Tudo num curto espaço de tempo.
Põe a música a rolar, e fecha os olhos e imagina que chegas a casa ao som desta música.


Então? Como foi?

Fim de Crónica

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Adaptabilidade

Gosto imenso do conceito deste anúncio. Traduz tudo aquilo que me dava jeito adaptar no meu dia-a-dia. Se eu pudesse eliminar o corredor do autocarro, se eu pudesse dar um mergulho na piscina do parque de estacionamento, se eu pudesse arranjar lugar na esplanada.



Gosto deste mundo.

Fim de Crónica

terça-feira, 10 de junho de 2008

Corre em direcção à baliza

Não sei o que se vai passar aqui nos próximos minutos. Os minutos em que vais ler o que estou a escrever. Não consigo encontrar uma maneira aceitável de falar sobre as novidades das coisas.


O sol deixa-me bem disposto. Em dia de estreias, cedo alvorada, desperta com um ar quente, demasiado quente para roupa tão pouco arejada. Primeira paragem, primeira oportunidade para começar a preparar os estômago para o que vem a seguir. Há que testar a sua flexibilidade e elasticidade. Normalmente pára-se para comer, mas neste caso pára-se para deixar de comer, e cumpre-se o ritual. Precisamos de rituais para tudo. Para ser felizes, para fazer os outros felizes, para dizer que somos bons, para dizer que gostamos de ti. No ritual faltou uma refeição. 
Longa espera, para captar memórias variadas. O corpo não aceita de bom grado. 
Já está na hora de arrancar, e não há cortejo, não há barulho, não há sinais. Sinto-me desiludido. Acabou o intervalo na actividade que vai dominar o dia. Horas e horas, em que mudavam o que tinha à minha frente e fazia desaparecer o que eles mudavam. Palmas a compasso, música de qualidade duvidosa, uma voz de rádio regional, cantorias, fazem parte do menu. Novo intervalo, para a estreia. A estreia corre bem que me faz crer que se calhar começou bem de mais, e o que interessa é como acaba.

No dia seguinte há um período de recuperação inerente, mas o dia vai-se preenchendo com pequenos rebuçados e com desafios grandes. A sensação é estranha. E a semana começa, bem cedo, para deixar que se abra a janela para a Europa, com qualidade superior. 

Sugestão musical, Cat Power, com Metal Heart integrado no último Jukebox. Não tenho grande coisa a dizer. Gosto.



Fim de Crónica

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A felicidade é algo de muito pouco parecido com isto

Pela primeira vez desde há muito acordei com aquela boa disposição que me põe a fazer o exercício matinal de karaoke enquanto me encaminho para o trabalho.  O sol ajuda, e de que maneira. 

Perdi um pouco da minha boa disposição no preciso momento em que me sentei nesta cadeira. A vontade não é muita, a cabeça está noutro lado e há ruído de fundo que desvia as atenções, depois uma noite que começou tarde demais, e terminou cedo demais. Concerto magistral na televisão, quase deitado no famoso sofá, enquanto ao vivo, há encontrões, emoções e gritos. Quase adormeci a ver Metallica. Não consigo explicar, a música não é de todo do meu agrado, mas eles são muito bons, ao vivo crescem, e o que sai daquele palco é inacreditável. Ainda assim não deu para vencer o sono.
Numa alteração repentina de canal, numa altura em que se apura o campeão da NBA (ou como os americanos gostam de chamar NBA world champion, como se não tivessem levado na boca dos europeus e argentinos nos últimos anos) parei num directo dos estúdios da Sporttv, que achei estranho dado o adiantar da hora. Apercebi-me que algo de especial se passava, e de facto era especial o que se passava ali. A televisão digital chegou. O primeiro jogo da final da NBA de 2008 foi a primeira transmissão em alta definição por um canal português. De repente senti que as televisões de casa são peças de museu, que fazem barulho, que ferem os olhos de morte, que me obrigaram a utilizar estes óculos, que o seu som não presta, e que o seu ângulo de abertura não me deixa ver tudo o que quero ver. A minha felicidade não passa por ter alta definição, mas que me mordo de curiosidade para ver o que é, mordo, já estou mesmo em ferida. 

Continuo a deixar que o meu iPod me leve a sítios desconhecidos do seu interior, e a fascinar-me por coisas que já foram moda. Soube-me bem ouvir isto novamente. Achei que a Sónia estava a falar comigo.



Estou a desmotivar. Qualquer dia mando-me para férias da escrita. Está aí alguém?

Fim de Crónica

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Já não me lembro do título que tinha pensado para este post

Hoje não venho partilhar nenhum dilema pessoal. Continuam na mesma, sem evolução. 

Venho falar do mundo. Do meu mundo. 
O meu mundo começa em Portugal. Quem não recebeu um e-mail a pedir encarecidamente que não abastecesse o meu depósito nos gigantes da gasolina nos primeiros três dias de Junho? Eu recebi, mais do que uma vez. Até houve ecos nos telejornais. Pensei sinceramente que o boicote resultasse. No entanto, veio mais uma vez ao de cima o nosso atraso face a outros povos europeus. Esta falta de solidariedade não traz nada de bom, e assim não se pode lutar por nada, porque há sempre alguém que se corta. Eu também sofro deste mal. Quantas vezes recusei lutar por causas justas só porque não me dava jeito? Doeu-me muito ouvir de um espanhol que nós estamos cerca de 15 anos atrasados. Ao fim de alguns anos sou obrigado a concordar com ele. Temos de dar o salto. 

A única coisa para a qual nos conseguimos mobilizar é a selecção. Há neste momento pessoas, nas suas casas de banho a vomitarem o último noticiário da SportTV, em que se disse que Cristiano Ronaldo ganhou 3-1 ao Nani no PES2008. Cristiano estava com Manchester e Nani com a selecção portuguesa. Segue-se uma partidinha de SingStar, onde se sente claramente a falta de Neno na selecção. Claro que mexe comigo ver a festa enorme dos emigrantes à chegada dos jogadores. Contigo não mexe?

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Impressionante, não achas? É claro que me interessa saber o que se passa na selecção, saber alguma declaração mais relevante, saber o que pensa o treinador, mas chegar ao ponto de transmitir o meínho entre os craques, os golos das peladinhas, os abdominais, as entradas no autocarro, descrever minuciosamente as ementas, entre tantos outros pormenores, se calhar é exagero. Não? 
Como é tradição, já tenho a minha camisola para acompanhar os jogos da selecção devidamente equipado.

Outro assunto que aos poucos vai desaparecendo desta roda viva é o concerto da Amy em Lisboa. Não quero deixar de sublinhar o extraordinário talento que anda por aí a arrastar-se. Escolhi a versão de Valerie, magnificamente interpretada por ela, que vem integrada na compilação Version, do produtor Mark Ronson. Amy não consta do vídeo, mas é uma grande canção, que me faz querer levantar desta cadeira e rodopiar.



Sem a presença confirmada de Amy, aqui fica um convite para o serão de amanhã.



Fim de Crónica

sábado, 31 de maio de 2008

Moche ao extremo

Numa altura em que as conversas circulam à volta de tarifários de telemóvel, ou à volta um concerto possível de um talento enorme que deu pena ao ver arrastar-se pelo palco mundial, ou ainda de um Europeu de futebol onde as expectativas são baixas, mas que toda a gente pede a final, eu não tenho nada para dizer. Ou será que tenho e não sei que tenho? O mais que tenho feito é fazer perguntas, e não deixar que me respondam. Medo da resposta? Não vou responder obviamente...


Há dias decidi abandonar da playlist de músicas favoritas que tenho no meu iPod, e passar a ouvir tudo baralhado. Tenho tido algumas agradáveis surpresas. Não raras vezes tenho tirado os olhos da estrada para saber qual é a música que está a rodar. Uma dessas surpresas é este Saving My Face de KT Tunstall. Depois do primeiro álbum, cujas críticas arrasaram mas eu gostei, KT lançou Drastic Fantastic, que não tinha ido para além da categoria de "disco para ouvir enquanto tento trabalhar". Está gira a música.



Fim de Crónica

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Engraçado

Vou mudar de actividade. Estou naquele momento em que me parece ideal fazer uma pausa, mas subir dois andares para continuar com a mesma companhia, não vale a pena, e por isso venho partilhar alguns pensamentos, opiniões, ou talvez, bardas.

Estou com a sensação que deixei fugir a inspiração, que ela se escapou pelo meio dos dedos. Distante de grande eventos, que mexem comigo por dentro, a rotina voltou, e não há como fugir a ela. Mais que isso, qualquer tentativa de fuga da rotina é violentamente reprimida por um circuito interno, que muitas vezes se torna difícil de perceber. Ora prende, ora liberta. Deixar o coração comandar o circuito é ir longe demais. Volta para o teu lugar!!


Eu volto, sem problema. 
Gosto sempre de opinar sobre o festival da Eurovisão. Sem o fascínio de outrora, vejo e acompanho este certame quando posso. O epicentro desta convenção musical europeia tem se mexido cada vez mais para leste. As músicas são cada vez piores. As grandes músicas ligeiras da Europa vão desaparecendo. O tele-voto acaba por contaminar toda a votação, dando aso a que os países com maiores fronteiras, ou com maior número de emigrantes se destaquem dos restantes, simplesmente por esse facto. Portugal esteve na final, há uns anos que não estava, e se calhar não volta tão cedo. A totalidade dos seus votos foram conseguidos a oeste, com os países mais próximos a contribuírem mais. Portugal é o país que há mais anos participa no festival, e ainda não obteve uma vitória. E dificilmente irá obtê-la enquanto forem os votos do público a decidir. Por muito que esta me pareça a forma mais justa de decisão, está claramente viciada, e carece da mais elementar justiça para os compositores e participantes. 
Gosto particularmente das votações, de adivinhar onde vamos buscar pontos, a quem são atribuídos os pontos. Mesmo quem tivesse um gosto musical duvidoso, mas conhecesse a divisões desta nova Europa de Leste partida em mil bocadinhos, facilmente adivinharia o destino dos pontos. Fico com pena de não ter ouvido: "Portugal twelve points, le Portugal douze points".

Se tivesse votado o meu voto teria ido para a canção francesa, do compostior Sebastien Tellier, com o tema Divine. Quase integralmente cantado em inglês. O que se passa com estes franceses?


Mesmo assim ficaram atrás de Portugal. Se o compositor tivesse guardado esta canção no baú e cantasse agora...



o resultado podia ter sido outro.

Fim de Crónica

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quarta-feira, 21 de maio de 2008

Tiros e explosões

Não tenho nada de concreto para partilhar, mas desde ontem ao fim da tarde que ando com esta música na cabeça. Postcards from Italy de Beirut, é o nome dela. Acho que é uma música de pessoas felizes com lágrimas, com um misto de melancolia e alegria, ideal nas montanhas russas que andam por aí. É como a sensação de aperto no estômago, de quem vai entrar naquelas descidas a pique em que só os carris me seguram... às vezes nem deviam segurar. Se a Space Moutain me deixasse ir até à lua...



Fim de Crónica

terça-feira, 20 de maio de 2008

Regresso ao Passado

Enquanto vou ganhando inspiração para outras batalhas, e me mentalizo que estou perto de mais uma meta, vou dissertar mais um pouco. Inclusivamente já a tenho à vista, mas estupidamente prefiro ignorá-la, olhando para os adeptos que estão nas bermas da estrada a aplaudir-me com bandeiras de Portugal desfraldadas.


Estou com saudades. Saudades do tempo em que vivia emoções fortes do banco. Em que aplaudia, em que dava o meu lugar no banco para um desconto de tempo. Em que entrava em campo por poucos minutos, e o resto do mundo deixava de existir, tal a vontade que tinha de deixar tudo em campo. Não vejo o dia em que a chuva pare, e que eu calce as botas e salte para o meio do arvoredo, onde se coroam os reis do jogo de rua. Decidi pegar na bola, e no estreito espaço que tenho no quintal, tirar a ferrugem do pulso. Começa a doer ao fim de meia dúzia de tiros. Sem barreiras, nem pressão, só para me divertir, e sentir que ainda sei fazer alguma coisa.

Ver uma corrente de solidariedade é comovente. A maneira como as pessoas se unem por alguém que não conhecem. A maneira como os seres humanos reagem em catástrofes. É difícil ver à distância duas grandes catástrofes naturais bem frescas na nossa memória. Mas foi fácil sentir a corrente contra um drama bem mais próximo.

A música de hoje fala do falso império. Retirada do último dos National, Boxer, um dos melhores de 2007, Fake Empire é uma das músicas mais convincentes de um álbum que aos poucos convece-me de tal maneira, que estou a alimentar esperanças de uma ida ao Oeiras Alive, para ver isto de perto.


Fim de Crónica

sexta-feira, 16 de maio de 2008

E porque não?

Normalmente opino, e depois dou a minha sugestão musical. Hoje vou começar pelo fim. Acordei hoje ao som da música "Quedate a domir" dos M-Clan. Acordar ao som de uma música que me diz para ficar a dormir, não daria bom resultado. Mas o certo é que esta música é um belo despertador. Alguns conhecem o meu meio-fascínio pela música espanhola. Já foi total, mas agora é só meio. No meio de tanta coisa má que eles têm, ao fim destes anos todos consegui colocar um filtro em que apenas passem as coisas que realmente valem a pena. Diria que se fosse compositor, gostaria que as músicas fossem algo de parecido com isto.



Não me ocorre descrever exaustivamente a semana. Ando distante e a fazer várias descobertas. Primeira descoberta: apesar do cansaço, na primeira noite a seguir ao fim de festa, acordei várias vezes, como se tivesse a dormir uma sesta. Normalmente acordo muitas vezes quando durmo de tarde. Os períodos de sono são sempre mais curtos. O meu corpo terá pensado que ia dormir a sesta.

Ontem achei que o tempo passava demasiado rápido. Agora acho que ele passa demasiado devagar.

Telefonei para a Telepizza a encomendar um dia de Verão. Eles disseram que só tinham a partir de dia 21 de Junho.

Os meus telemóveis confessaram-me estarem a sentir-se estranhos. Depois de uma semana, em que recebiam mensagens constantemente, e que quase respondiam automaticamente à pergunta "Onde estás?", queixaram-se do silêncio. Já lhes dei de comer, mas eles não estão muito melhor.

Fim de Crónica